
Eram onze da tarde na minha dimensão.
Fazia calor, mas o frio me dominava. Os pássaros cantavam para o sol que queimava cada flor quase morta no chão.
Tudo era muito leve e vazio, como uma pluma pairando sobre o lixo.
O cheiro da morte era vivo, contraditório e muito real.
O meu frio queimava, mas não era uma sensação ruim. Não sei onde eu estava, tento lembrar mas minha memória falha.
Será que eu estava perdida? Totalmente.
Na realidade, todos estão perdidos entre o frio e o calor; a morte e a vida; o dia e a noite...
Passamos perdidos em uma vida sem rumo.
Apenas com a enganosa idéia de que tudo um dia vai se encontrar.

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