8 de set. de 2011
Embalos de sábado a noite.
Cheiro de cigarro no ar, no rádio gritava um rock qualquer, e ela ali, entre o som, a TV e os livros. Não lia mais, só respirava, fumava, chorava e ouvia musicas que não eram do seu gosto.
Isso tudo em um sábado a noite, logo no dia em que o mundo resolve se perder na madrugada, ela estava perdida na madrugada do seu quarto inundado de fumaça & som & lágrimas.
Aquele quarto vibrava, aquele rádio gritava, e ela mais parecia um quadro do que uma mulher. Não estava triste, apenas não sentia. Não sentia nem aquele nó no peito de quando estamos abarrotados de lágrimas quentes. Não, ela apenas chorava, caiam lágrimas frias, do mesmo modo que chovia.
Apagou o cigarro e caminhou lentamente até o banheiro, olhou seu rosto no espelho. Eu diria que não gostou do que viu, mas ela não sentia então ela também não via.
Mas eu, mero fantasma espectador, sei de tudo que aconteceu naquela casa naquele sábado a noite, não me pergunte como, apenas sei.
Loira, olho inchado, borrado de maquiagem derretida por lágrimas traiçoeiras, boca ainda vermelha, essa era a imagem do espelho, fria e molhada.
Saiu do banheiro em direção a varanda, a noite já acordava: carros, pessoas, bebidas, risadas homéricas.
Para ela, tudo soava falso, aquelas pessoas extremamente arrumadas achando que sair para alguma festa vai mudar a realidade de suas vidas vazias e medíocres.
Ela já foi assim, passava a semana pensando no fim-de-semana. Mas o tempo passou e ela percebeu o quanto aquelas festas a faziam sentir-se ridícula, fútil. Então resolveu abandonar as ruas da cidade, trocou o salto agulha pelo sofá.
Voltou para o sofá, ao lado do rádio que ainda gritava musicas nada animadoras, musicas tão perdidas quanto ela, estavam ali simplesmente por estar. Tocavam por tocar.
Acendeu outro cigarro, e se pôs a pensar. Pensou na musica, no sofá, no próprio cigarro.
E dormiu, com o cigarro na mão, o rádio gritando e a vida passando rapidamente fora de sua janela.
Quando acordou, já era dia. Domingo, o diazinho medíocre. Tomou duas xícaras de café, seguidas por dois cigarros, já não conseguia fazer nada no singular.
Tinha planos para aquele domingo sem sal, planos infalíveis e que dependia só dela e de alguns remédios que ela tinha em estoque no armário do banheiro. Dormir. Acordar apenas quando o despertador tocar, e a vida chamar para mais um dia de trabalho, numa segunda-feira provavelmente insuportável.
Tomou os remédios, dose forte, não queria acordar ainda no domingo. Deitou e dormiu. Dando adeus a realidade. E o som do rádio, aquele companheiro fiel, continuou lá, por todo o domingo emoldurando o quadro de uma mulher dormindo.
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