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1 de set. de 2011

Suspiro da casa azul.


Ela ligou o rádio tentando ouvir qualquer coisa que desligasse seus pensamentos, trocou de estação várias vezes, até perceber que a única coisa que ela queria ouvir era som daquela voz, agora tão distante.
Decidiu que ficar em casa olhando a vida passar, não faria diferença alguma, já era hora de sair.
Não simplesmente sair, sair daquela dor, cortar qualquer ligação com aquele nome e talvez, conhecer outros nomes.
E ela saiu, pela porta da frente, do apartamento, da vida, da dor. Deixou tudo pra trás, fechou o apartamento e jogou a chave fora. Visto de fora poderia parecer loucura, mas não era, só assim ela poderia se livrar que todas as lembranças que respiravam ali dentro... chave no lixo, mãos no bolso, e olhos abertos para um novo mundo.
Assim ela andou pelas ruas da cidade durante um dia; uma semana; um ano; uma década...não sei, o tempo era relativo, ela já não sentia mais nada, apenas andava devagar, como um espírito ainda perdido.
Sem perceber, ela caminhou até a casa daquela voz, e olhou cada detalhe. As janelas azuis, a porta também azul... tudo azul.
Foi um olhar de adeus, passou um tempo ali, até o sol cair e as luzes se acenderem.
Quando não havia mais ninguém na rua, ela foi embora, sem olhar pra trás. Sabendo que não voltaria a ouvir aquela voz, e que ninguém sentiria sua falta, não o suficiente para fazê-la voltar.
Caminhou por todas as ruas de todas as cidades que ela achava que devia caminhar, um dia ela cansou. Cansou em frente à praia de uma cidade qualquer, com um nome qualquer. Assim parou de caminhar, sentou-se na areia perto o suficiente para sentir o cheiro da água salgada.
Pensou, colocou todas as idéias no lugar, voltou a sentir. Sentiu dor física, mas a pior dor foi aquela que doeu lá dentro dela.
Chorou, chorou a praia inteira, transbordou repetindo apenas um nome.
Foi desfalecendo aos poucos, sem muito alarde, apenas foi deixando tudo sair de dentro dela. E como um suspiro... ela já não estava mais lá. Apenas um corpo, deitado, abraçado pela areia.
Aquela voz que ela tanto queria ouvir, também queria ouvi-la. Aquela voz sentia uma saudade trancada por portas e janelas de uma casa azul.

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