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28 de set. de 2011

Apenas Lustre.


Ele olhava cada canto do apartamento de modos diferentes. Queria conhecer melhor a sua própria vida.
Assim que o sol caiu, ele trancou as janelas e a porta, não queria lembrar-se do mundo lá fora.
Tirou os móveis do meio da sala, sofá foi para o quarto e o criado-mudo também. Todas as quinquilharias da sala foram divididas entre os quartos, a cozinha e a varanda.
Quando a sala estava vazia, a luz apagada e todas as portas fechadas, parecendo um imóvel abandonado – e de certa forma era um imóvel abandonado – ele deitou olhando para o lustre do teto. Um homem qualquer deitado no chão de uma sala qualquer, de um apartamento qualquer, em um dia qualquer.
O silencio era palpável, nem triste, nem dolorido, nem trágico, apenas palpável.
Ele não chorou, nem se lembrou do passado, apenas pensou no lustre, superficial de certa forma, mas a verdade é que aquele circo todo havia sido armado apenas para ele admirar a beleza do seu lustre, que agora girava soprado por um vento inexistente. E a cada volta, ele brilhava mais aos olhos daquele homem deitado no chão de uma sala qualquer.
Ficou ali por horas, apenas olhando para o seu lustre que havia comprado em um brechó na sua primeira viagem a Londres.
O tempo passou, ele levantou, arrumou lentamente os moveis na sala, tomou um banho e foi trabalhar. Era um homem diferente, pois havia acabado de conhecer um lustre como nunca havia conhecido ninguém na vida.
Sem lágrimas, sem magoas, sem dores, sem passado.
Apenas lustre.

Um comentário:

  1. Vim aqui através da comunidade do orkut, dos "escritores de gaveta", você comentou sobre meu texto. Resolvi ver o seu, haha.

    E confesso, lendo o texto, esperei um final totalmente diferente. Eu gosto tanto disso.

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